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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Outra Dimensão





Eram 15h. Uma tarde que já havia começado atípica para ele, que estava acostumado a nada fazer nas tuas tardes. Dessa vez, havia um ensaio para um evento, o qual ele estava determinado bastante a participar.

Ele, definitivamente, era alguém extrovertido. Acanhado, mas extrovertido. Mas esse ano tinha um algo de especial, um algo que o fez deixar de ser acanhado como era para fazer com que todo o modo extrovertido de ser dele fosse extraído de si. Ele sempre fora taxado como um cara legal, apesar de sua pouca beleza exterior. Por inteligência, ele compensava isso com um caráter indiscutivelmente inigualável.

Dias atrás, ofereceu uma rosa a uma garota apenas para poder deitar-se no ombro da mesma. Talvez, sem reação, ela tenha deixado, isso nunca havia ocorrido antes e ela não esperava isso logo dele, ela achava que ele sempre a olhara com olhos frios e desinteressados.

Por ironia do destino ou não, essa garota é irmã daquela que irá mudar tudo da vida dele.

Eram 15h. Uma tarde que já havia começado atípica para ele, que estava acostumado a nada fazer nas tuas tardes. Dessa vez, havia um ensaio para um evento, o qual ele estava bastante determinado a participar.

A garota para quem ele ofereceu uma rosa estava lá. Sua irmã, idem. Após o fato da rosa, ele tinha alguma intimidade com ela e começou a conversar. Brincadeiras, palavras divertidas, sorrisos... Sua conversa progredia cada vez mais, ela e ele se mostravam bons amigos. Então, era hora de começar a ensaiar.
Em sua esquerda, ela. Atrás dele, a irmã dela.

Sem titubear, ele usou de todo seu poder de divertir as pessoas e fez algo com a irmã dela, que estava atrás dele. Ela virou para ele e deu o mais belo sorriso que ele jamais tinha visto. Impressionado, ele se voltou para a frente e começou a ensaiar, mas não conseguia tirar aquele sorriso da cabeça...

Terminado o ensaio, ele foi até ela:

- Qual o seu nome?

Ela revelou seu nome, ele revelou seu apelido (como sempre fazia ao se apresentar). Um pouco de conversa e tinha terminado o dia, era hora de ambos irem para casa. Caminhando rumo a tua casa, ele não conseguia apagar aquele sorriso da sua cabeça. Como alguém podia ter um sorriso tão belo e feliz como ela?

Muita conversa entre eles ocorreu desde então, se tornaram amigos. Algum tempo depois, ela precisava da ajuda dele para estudar e ele, sem pestanejar, foi até ela. Era diferente, nada se comparava à casa dela. Era um local onde, a partir do momento em que você entrava, tudo mudava.

Era como a Caixa de Pandora. A Caixa de Pandora, na mitologia grega, é um artefato que prendeu todos os males desse mundo. Por ocasiões, foi reaberta e todos os males saíram. Num ato de desespero, fecharam a caixa e prenderam, dentro dela, a esperança.

A casa dela, a partir do momento que se abriam as portas e ele entrava, tudo sumia. Tristeza, dor, maus momentos...Nada mais existia, nada mais importava. Dentro de si, ele só sentia bons sentimentos: paz, amor, felicidade... Era uma magia daquela casa, não tinha como explicar.

E o coração dela, a amizade dela, os carinhos, o amor... Era tudo como uma outra dimensão. Ele nunca havia sentido algo tão sincero como isso. Não havia como não estar feliz, eram, indiscutivelmente, os melhores momentos do seu dia-a-dia. Mesmo quando não tinha nada para ajudar a ela, ele gostava de ir para lá apenas pela companhia dela.

O tempo foi passando e a amizade deles ia aumentando pouco a pouco. Até que o namoro dela terminou. E, algum dia após isso (não muitos dias depois), ele voltou à casa dela para ajudá-la novamente, mas via tristeza nos olhos dela. Perguntou o que houve e começaram a conversar. Conversaram pelo longo do dia. Continuaram a conversar por alguns dias. Semanas. Meses. Aos poucos, ele ia ajudando-a a conseguir esquecê-lo, a conseguir superar isso pouco a pouco.

Mas era um amor de verdade. Não tinha como ser apagado nem esquecido assim, tão facilmente. Seria duro e complicado. Desistir era algo que não combinava com ele e nem com ela.

Muita conversa entre eles acabou os tornando o melhor tipo de amigos que poderia existir. Não havia como olhar para eles e não sentir a felicidade, o amor e o carinho que sentiam um pelo outro. Era algo que ninguém podia duvidar ou imaginar como era.

Dias negros começaram a vir. Não era como os dias comuns, algumas coisas mudaram, junto com ela. Ele havia se tornado enjoativo por motivos que ele mesmo conhecia (talvez, não todos); ela dizia que não, mas seus olhos aparentavam mudança.

A culpa era dele. Ela amadureceu bastante com ele, mas passaram muito tempo juntos por conta disso. Ele nunca teve alguém como ela e, talvez, isso o tivesse atrapalhado o suficiente para que pudesse ter se tornado complexo.

- Está vazio, está frio. Ela faz mais falta do que eu poderia, sequer, imaginar. Será que meus erros maiores estavam em mim mesmo?

Dúvidas pairavam por sua mente. Ele não sabia muito o que fazer ou o que dizer. Ela o revelara que ele vinha sendo um pouco enjoativo.

Passara noites sem dormir bem e não sabia o motivo. Após isso, ele imaginou que foi premonição de algo. Bobagem. Não era isso. Ele sabia que havia problemas e que não houve tempo e nem auxílio para resolvê-los.

Era a hora. Ele queria conversar com ela. Talvez, ela não quisesse. Eles conversaram. Enquanto conversavam, sua mente só tinha duas coisas:

- Estarei eu destruindo tudo aquilo que construí ou reconstruindo?

Ele não sabia. Mas, entre eles, o que havia mudado foi recorrigido.

Ele acreditava que era predestinado a ajudar as pessoas. Fazia isso como ninguém. Nada ia mudar, para ele, do que ele faria por ela. Mas ele não sabia o que ela sentia quanto a isso. Independente disso, ele disse:

- Falo-te aos teus olhos: pode ser que você, um dia, não me queira mais por perto. E acho que esse dia tá chegando mais perto do que eu imaginei. Mas tudo que nutri por ti é verdadeiro e não morrerá assim. Estarei contigo por todo o tempo que perdurar.

Hoje, ele ora todos os dias por ela, pedindo que ela possa seguir seu caminho de felicidade sem se arrepender do que faça. Em suas orações, ele pede que possa estar com ela sempre que ela permitir.

Eles perderam um pouco do contato. Não era o desejo dele, mas a obrigação. Teus amigos o ajudaram a recuperar sua felicidade, mas ele estava com um buraco em seu coração uma vez mais. Perdê-la era algo que ele acreditava que era impossível.

- Em outra dimensão, nós não nos perdemos e continuamos vivendo felizes e fortes juntos. Por que isso teria que acontecer comigo? - se perguntava sempre que estava com seus amigos. A resposta não é algo que viria a acontecer assim, mas com o tempo...

Até que, um dia, se encontraram novamente. Era como um sonho voltando a realidade. Mas ele não era mais o mesmo, enquanto ela quis pedir desculpas por ter feito aquilo a ele, inconscientemente. Não era o que ela queria, mas o coração dela estava confuso e ele estava querendo ajudar, mas acabou atrapalhando.

Ela clamou pelo seu nome. Gritou. Queria ele de volta como ele sempre foi, não o queria daquele jeito. Ele, frio, não fez nada além de continuar olhando pra ela com olhos de esperança. Ela, então, disse:

- Parece que eu não tenho mais aquilo que, um dia, foi minha força maior.

Com lágrimas nos olhos, ela parou de falar e ele olhou para ela e disse:

- Eu te prometi que estaria contigo para sempre, nada mudou.

Sua expressão facial mudou completamente. Ele tinha um sorriso em sua face novamente, uma verdade de uma felicidade incrível. Ela o abraçou, pediu desculpas. Ele a abraçou de volta, pediu desculpas.

Saíram dali juntos, como sempre faziam quando queriam se divertir um pouco. Remetendo a tempos passados. É, essa era a vida que ele, novamente, tinha e queria.

Ele olhou para ela e disse:

- Não faz mais isso comigo. Não aguentaria te perder duas vezes.

Ela olhou para ele e disse:

- Não farei mais isso contigo. Não aguentarei te perder duas vezes.

Ambos choraram enquanto sorriam. Felizes por estarem juntos, tristes por terem se perdido. Eles estavam felizes, voltaram novamente a si e vivem juntos até hoje.
Uma amizade que durou além dos tempos, um amor que permaneceu quente mesmo quando o frio queria apagar esse calor...

Por: Ademilton Santos Júnior


3 comentários:

  1. Terceiro texto publicado... Este conto é uma lição, como todos os contos que publico e que ainda virei a publicar... Portanto, extraiam dele conhecimento!

    Beijo, me liga... ;*

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  2. Axo que eu ja disse que axei esse texto super fofo, né? O melhor é que conta uma história real! :*

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  3. não poderia ter final melhor shuaaush :D
    show! (:

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