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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ave Fênix




Este é um conto que conta a história de um jovem garoto. Um garoto normal, de altura mediana, nem muito bonito nem muito feio.


Tudo se inicia com o nascimento. O garoto nasce, recebe seu nome e começa seu ciclo vital, padrão para todos seres humanos. Mal sabia ele que ele seria diferente, que um algo em especial o diferenciaria dos outros seres humanos comuns.


Como de prache a todos humanos, o garoto cresce. Atinge sua adolescência de modo triunfal, era um garoto exemplar. Mas, algo o diferenciava dos outros, algo imperceptível: a capacidade dele de se recuperar. Não em relação a doenças, mas em relação a dores piores. O jovem era inabalável, de tal forma que não poderia ser compreendido por outras pessoas. Mas, isso não era bom. Os outros começavam a se afastar dele, tratá-lo como um ser sobrenatural, um alguém de outro mundo.


Isso não era verdade. Por mais que esse jovem fosse especial, ele não passava de um mero ser humano com uma diferença de não ter um emocional tão facilmente abalável como outros tinham.

Por ser, aos poucos, excluído das outras pessoas, ele não podia compreender o que acontecia que o tornava tão diferente de todos os outros e, por isso, ele se tornou um rapaz confuso, com muitas dúvidas. Essas dúvidas começavam a penetrar seus sonhos, a torná-lo um rapaz de humor ruim por não conseguir dormir direito. Com isso, sua saúde se tornava afetada. Dores de cabeça, visão embaçada, músculos fracos...


Várias doenças faziam a festa em seu corpo sem que ele percebesse, estava ocupado demais pensando em por qual motivo teria sido excluído por todos. Suas doenças o venceram, ele estava entregue.

Hospital. Um ambiente que ele nunca tinha visitado, um jovem saudável como ele nunca teve essa necessidade. E, agora, alugava um quarto para sua recuperação. Dias passaram, meses passaram...Dois anos se passaram. Médicos não conseguiam ajudá-lo, não sabiam o que fazer porque a doença deste jovem não era algo que a medicina pudesse ajudar.


Ainda deitado, o jovem olhava para o teto do quarto onde habitava. Um olhar vago, sem rumo, um garoto que tinha, aparentemente, desistido de viver, mas ainda havia algo que o fazia estar vivo. Além de seu organismo estar em pleno funcionamento, a força de vontade deste garoto de descobrir o que o fizera estar naquela situação era de tamanha força que faria com que ele não desistisse.


E ele descobre. Percebe que sua frieza perante os sentimentos alheios o tornara diferente de outras pessoas, o fazia estar ignorando sentimentos alheios, o fazia ser alguém rude. Mas, era tarde. Essa descoberta veio um ano após o atrofiamento dos músculos de suas pernas por estar por mais de três anos deitado, sem movimentar-se.


E não era apenas isso. Alguns de teus órgãos já haviam parado e seu corpo já não mais o respondia. Tirando sua mente, ele estava em estado vegetativo. Por mais que ele batalhasse, não teria como vencer a desistência que seu corpo proporcionara. E, algum mês depois, o jovem falece.


O fim de um ciclo vital: a morte. Alguém que batalhara tanto para ter uma vida digna e um modo legal de se viver teria encontrado o fim, um fim triste e solitário.


Veio o dia de seu velório. Incrivelmente, não havia apenas familiares. Seus amigos que haviam o abandonado compareceram ao seu velório, para dar o seu último adeus. Mal sabem eles que foram os culpados pela morte do jovem garoto.


Lágrimas escorrem do rosto de uma bela menina: "Eu estava apaixonada por ele", disse. Logo após isso, a garota não conteve seu choro e desabou em lágrimas.


O amigo que mais era presente na vida do jovem garoto também compareceu ao seu velório: "Ele sempre fazia as pessoas rirem com suas brincadeiras e sempre estava disposto a ajudar por ter um amplo conhecimento em seus estudos", dizia, sem conseguir conter as lágrimas.


Aos poucos, era perceptível a tristeza que tomava conta de todas as pessoas que ali estavam presentes. E, como uma Fênix, o jovem garoto renascia. Não no campo físico, mas no campo espiritual. Sua alma, suas lembranças, seus sorrisos, suas brincadeiras... Tudo que tornara o jovem uma pessoa especial renascia no coração das pessoas que com ele andavam. Sua alma descansava em paz, pois sabia que fez o que achava correto e, hoje, jaz no coração das pessoas, que não conseguem esquecê-lo.


Atualmente, a foto desse garoto é parte de toda uma sociedade, seu velório comoveu muitas pessoas, mesmo as que não o conheciam. E era isso que o tornava especial. Sua capacidade de comover sem ser comovido. Mas, era tarde, ninguém mais poderia ser comovido por alguém especial como ele.


Dentro do coração de cada um, havia a lembrança maravilhosa de um alguém que jamais fizera mal a alguém, mas que foi perturbado e machucado por todos. E que, após sua morte, entendeu-se o que o fazia ser diferente dos outros seres humanos: ele era uma Fênix.



Por: Ademilton Santos Júnior