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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Triângulo de Ouro


Antes de começar a história, gostaria de eternizar este conto como o primeiro com personagens, já que tornaria a história confusa se não existissem definições próprias para o mesmo. Feitas as explicações, começa-se o conto.

- Vamos ter que terminar. - disse ele, sem mais nem menos, pela segunda vez. Ela não sabia o que fazer, apenas foi embora e chorou por alguns dias até que...

Vagner e Luanna se conheciam desde criança. Sempre brincaram juntos, viviam quase todos os dias se vendo, brincando, conversando... Apesar da Luanna não gostar muito do Vagner, ela nunca o quis longe dela. Ele também nunca a quis longe de si, mas ele gostava muito de estar com ela em todos os momentos que fossem possíveis.

Obviamente, o tempo passa. Eles cresceram juntos, ela continuava sem gostar muito da presença dele, ele continuava querendo estar com ela sempre. Passaram-se dias, meses, anos... Eles estudavam, agora, no mesmo colégio. Coincidentemente, acabaram ficando na mesma sala de aula. Ambos crescidos, suas conversas, agora, eram mais maduras e desenvolvidas.

Luanna mudou o seu pensamento de quando era criança. Começou a gostar de estar com ele, começou a valorizar essa presença do Vagner. Foi o primeiro passo para um longo caminho...

E eles estavam juntos, dessa vez, a vontade era recíproca: um queria estar com o outro que queria estar com o um. Aconteceu o mais esperado: eles se apaixonaram um pelo outro. Não era uma simples paixão, era algo que perdurava desde tempos de infância.

Certo dia, em uma conversa em que eles estavam sozinhos, Vagner teve a coragem de dizer:

- Luanna, tem algo aqui dentro de mim que é alimentado por você, não sei como explicar, mas sempre sinto algo mais forte em mim quando estou contigo. Isso é... Eu acho que estou te amando mais do que imaginei, então... Quer namorar comigo?

Luanna ficou em choque. Ela não imaginava que isso iria acontecer, não dele. Mas era o que ela queria... Eles já estavam juntos há anos, mas, dessa vez, seria pra valer. E, sem titubear, disse:

- Sim! É o que eu também quero!

E se beijaram. Era o momento que os dois mais desejavam, estarem juntos de verdade, dessa vez. Sem empecilhos, eram eles dois e mais ninguém.

1 mês. 2 meses. 3 meses. Eles estavam juntos, firmes e felizes, como um bom casal que muito queria aquilo poderia estar feliz.

4 meses. Algumas discussões começariam a mudar o rumo da história. Talvez, essas discussões existissem antes, mas eles superavam com facilidade pela força do amor que, outrora, estava sem ferimentos. Ele reclamava sobre ela, ela reclamava sobre ele, mas eles nunca conversavam entre si, apenas discutiam. Isso ia enfraquecendo aquele amor pouco a pouco.

5 meses. As discussões se tornavam diárias. Eles se viam no colégio, discutiam e cada um ia pra um canto, ficar longe do outro por estar com raiva. Até que, um dia pela manhã, Vagner falou com Luanna:

- Olha, Lu, estamos brigando demais e não está sendo tudo aquilo que queríamos. Portanto, vamos ter que terminar por aqui.

Era o fim de um namoro que podia dar certo, não fosse pela falta de conversas e compreensão entre eles. Luanna estava triste, como era de se esperar. Mas qual não foi a surpresa dela quando, pela tarde, Vagner voltou a casa dela e disse:

- Acho que agi errado, sinto sua falta demais e eu queria... Voltar contigo. Ainda posso ser o teu namorado?

O sorriso voltava ao rosto de Luanna. Ela estava feliz de tê-lo de volta. Mas foi muito rápido. Na noite do mesmo dia, Vagner disse:

- Vamos ter que terminar. - disse ele, sem mais nem menos, pela segunda vez. Ela não sabia o que fazer, apenas foi embora e chorou por alguns dias até que...

Surgiu o Márcio. Em fato, ele não surgiu, já era amigo de ambos há algum tempo. Mas nunca teria tido a mesma importância de agora. Mais que um amigo, ele estava sendo o conselheiro da Luanna, sendo o ombro amigo que a confortava, sendo a força que ela mais precisava. E funcionou muito bem: Luanna voltara a sorrir como sempre, estava superando toda a tristeza e o amor restante pelo Vagner e tudo ia indo bem.

Até que esse amor começou a voltar, pouco a pouco. Estilhaços de um relacionamento que ela esperava tudo e não tinha nada. Márcio, preocupado, tentava conversar com ela, ela melhorava por alguns dias, mas viria a ter recaídas alguns dias depois. Mas Márcio não desistia, queria que ela esquecesse desse amor porque só a fazia sofrer, mais e mais.

Márcio acabou se apaixonando por Luanna. Por outras línguas, Luanna acabou descobrindo essa história, confirmada pelo Márcio pouco depois. Ele iria contar a ela, mas não naquele momento. Teve que o fazer por conta de pessoas intrometidas, algo comum de alguns seres humanos. Ainda assim, Márcio disse:

- Sei do que sinto e sei das minhas chances. Vou lutar é pra ver você feliz e, se você quer ser feliz com ele, vou fazer de tudo pra que você possa voltar a ser feliz com ele mais uma vez.

Seu erro maior. Márcio sabia da extrema importância da Luanna em sua vida, era uma ótima pessoa que o valorizou muito, coisa que ele só tinha sentido quando namorou, há algum tempo. O coração dela ainda queria o Vagner e o Márcio estava sendo um empecilho ao amor deles, seja por estar apaixonado, seja por querer que ela conseguisse ver a felicidade em outros homens.

As coisas mudaram. Ela ficou mais forte psicologicamente, mas mudou um pouco o seu jeito de ser. Márcio não sabia se continuava sendo alguém importante pra ela ou não. O ânimo do Márcio caiu drasticamente. Ele se sentia mal por ter perdido um alguém que ele tanto prezava, mas não fez nada para perdê-la.

Pacientemente, ele esperou. Ela sentiu falta dele, conversou com ele, queria falar com ele. Ele, como sempre, estava ajudando-a a ser feliz, mas sempre tinha um peso no coração porque tinha medo de que, quando tudo desse certo, ela mudasse com ele, como tinha mudado poucos dias atrás.

Até que ele conversou com o Vagner. Descobriu o que ele realmente queria, sentiu, vindo dele, a força do sentimento por Luanna e sentiu que ele, realmente, queria ela de volta.

Márcio conversou com a Luanna sobre isso, ela não acreditou nas palavras do Vagner. Poucos dias depois, eles se reencontraram. Pareciam um lindo casal, como se tivessem voltado de vez. Enquanto o Márcio estava muito desconfortável, o Vagner e a Luanna estavam muito felizes.

Até que, por golpe do destino, Vagner pediu para voltar com a Luanna. Ele prometeu estar mudado, prometeu que seria melhor do que foi da outra vez. Ela, por sua vez, prometeu que também tinha mudado, que poderia ser melhor do que foi da outra vez também.

E eles se juntaram. Uma vez mais. Cresceram, estão renovados, estão fortes. Eles são, agora, aquilo que queriam ser um para o outro. Um casal feliz, que cresceu forte pelo sangue e força de uma base resistente que sofreu muito, mas que reuniu forças pela felicidade daquela que amara.

Por: Ademilton Santos Júnior

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Outra Dimensão





Eram 15h. Uma tarde que já havia começado atípica para ele, que estava acostumado a nada fazer nas tuas tardes. Dessa vez, havia um ensaio para um evento, o qual ele estava determinado bastante a participar.

Ele, definitivamente, era alguém extrovertido. Acanhado, mas extrovertido. Mas esse ano tinha um algo de especial, um algo que o fez deixar de ser acanhado como era para fazer com que todo o modo extrovertido de ser dele fosse extraído de si. Ele sempre fora taxado como um cara legal, apesar de sua pouca beleza exterior. Por inteligência, ele compensava isso com um caráter indiscutivelmente inigualável.

Dias atrás, ofereceu uma rosa a uma garota apenas para poder deitar-se no ombro da mesma. Talvez, sem reação, ela tenha deixado, isso nunca havia ocorrido antes e ela não esperava isso logo dele, ela achava que ele sempre a olhara com olhos frios e desinteressados.

Por ironia do destino ou não, essa garota é irmã daquela que irá mudar tudo da vida dele.

Eram 15h. Uma tarde que já havia começado atípica para ele, que estava acostumado a nada fazer nas tuas tardes. Dessa vez, havia um ensaio para um evento, o qual ele estava bastante determinado a participar.

A garota para quem ele ofereceu uma rosa estava lá. Sua irmã, idem. Após o fato da rosa, ele tinha alguma intimidade com ela e começou a conversar. Brincadeiras, palavras divertidas, sorrisos... Sua conversa progredia cada vez mais, ela e ele se mostravam bons amigos. Então, era hora de começar a ensaiar.
Em sua esquerda, ela. Atrás dele, a irmã dela.

Sem titubear, ele usou de todo seu poder de divertir as pessoas e fez algo com a irmã dela, que estava atrás dele. Ela virou para ele e deu o mais belo sorriso que ele jamais tinha visto. Impressionado, ele se voltou para a frente e começou a ensaiar, mas não conseguia tirar aquele sorriso da cabeça...

Terminado o ensaio, ele foi até ela:

- Qual o seu nome?

Ela revelou seu nome, ele revelou seu apelido (como sempre fazia ao se apresentar). Um pouco de conversa e tinha terminado o dia, era hora de ambos irem para casa. Caminhando rumo a tua casa, ele não conseguia apagar aquele sorriso da sua cabeça. Como alguém podia ter um sorriso tão belo e feliz como ela?

Muita conversa entre eles ocorreu desde então, se tornaram amigos. Algum tempo depois, ela precisava da ajuda dele para estudar e ele, sem pestanejar, foi até ela. Era diferente, nada se comparava à casa dela. Era um local onde, a partir do momento em que você entrava, tudo mudava.

Era como a Caixa de Pandora. A Caixa de Pandora, na mitologia grega, é um artefato que prendeu todos os males desse mundo. Por ocasiões, foi reaberta e todos os males saíram. Num ato de desespero, fecharam a caixa e prenderam, dentro dela, a esperança.

A casa dela, a partir do momento que se abriam as portas e ele entrava, tudo sumia. Tristeza, dor, maus momentos...Nada mais existia, nada mais importava. Dentro de si, ele só sentia bons sentimentos: paz, amor, felicidade... Era uma magia daquela casa, não tinha como explicar.

E o coração dela, a amizade dela, os carinhos, o amor... Era tudo como uma outra dimensão. Ele nunca havia sentido algo tão sincero como isso. Não havia como não estar feliz, eram, indiscutivelmente, os melhores momentos do seu dia-a-dia. Mesmo quando não tinha nada para ajudar a ela, ele gostava de ir para lá apenas pela companhia dela.

O tempo foi passando e a amizade deles ia aumentando pouco a pouco. Até que o namoro dela terminou. E, algum dia após isso (não muitos dias depois), ele voltou à casa dela para ajudá-la novamente, mas via tristeza nos olhos dela. Perguntou o que houve e começaram a conversar. Conversaram pelo longo do dia. Continuaram a conversar por alguns dias. Semanas. Meses. Aos poucos, ele ia ajudando-a a conseguir esquecê-lo, a conseguir superar isso pouco a pouco.

Mas era um amor de verdade. Não tinha como ser apagado nem esquecido assim, tão facilmente. Seria duro e complicado. Desistir era algo que não combinava com ele e nem com ela.

Muita conversa entre eles acabou os tornando o melhor tipo de amigos que poderia existir. Não havia como olhar para eles e não sentir a felicidade, o amor e o carinho que sentiam um pelo outro. Era algo que ninguém podia duvidar ou imaginar como era.

Dias negros começaram a vir. Não era como os dias comuns, algumas coisas mudaram, junto com ela. Ele havia se tornado enjoativo por motivos que ele mesmo conhecia (talvez, não todos); ela dizia que não, mas seus olhos aparentavam mudança.

A culpa era dele. Ela amadureceu bastante com ele, mas passaram muito tempo juntos por conta disso. Ele nunca teve alguém como ela e, talvez, isso o tivesse atrapalhado o suficiente para que pudesse ter se tornado complexo.

- Está vazio, está frio. Ela faz mais falta do que eu poderia, sequer, imaginar. Será que meus erros maiores estavam em mim mesmo?

Dúvidas pairavam por sua mente. Ele não sabia muito o que fazer ou o que dizer. Ela o revelara que ele vinha sendo um pouco enjoativo.

Passara noites sem dormir bem e não sabia o motivo. Após isso, ele imaginou que foi premonição de algo. Bobagem. Não era isso. Ele sabia que havia problemas e que não houve tempo e nem auxílio para resolvê-los.

Era a hora. Ele queria conversar com ela. Talvez, ela não quisesse. Eles conversaram. Enquanto conversavam, sua mente só tinha duas coisas:

- Estarei eu destruindo tudo aquilo que construí ou reconstruindo?

Ele não sabia. Mas, entre eles, o que havia mudado foi recorrigido.

Ele acreditava que era predestinado a ajudar as pessoas. Fazia isso como ninguém. Nada ia mudar, para ele, do que ele faria por ela. Mas ele não sabia o que ela sentia quanto a isso. Independente disso, ele disse:

- Falo-te aos teus olhos: pode ser que você, um dia, não me queira mais por perto. E acho que esse dia tá chegando mais perto do que eu imaginei. Mas tudo que nutri por ti é verdadeiro e não morrerá assim. Estarei contigo por todo o tempo que perdurar.

Hoje, ele ora todos os dias por ela, pedindo que ela possa seguir seu caminho de felicidade sem se arrepender do que faça. Em suas orações, ele pede que possa estar com ela sempre que ela permitir.

Eles perderam um pouco do contato. Não era o desejo dele, mas a obrigação. Teus amigos o ajudaram a recuperar sua felicidade, mas ele estava com um buraco em seu coração uma vez mais. Perdê-la era algo que ele acreditava que era impossível.

- Em outra dimensão, nós não nos perdemos e continuamos vivendo felizes e fortes juntos. Por que isso teria que acontecer comigo? - se perguntava sempre que estava com seus amigos. A resposta não é algo que viria a acontecer assim, mas com o tempo...

Até que, um dia, se encontraram novamente. Era como um sonho voltando a realidade. Mas ele não era mais o mesmo, enquanto ela quis pedir desculpas por ter feito aquilo a ele, inconscientemente. Não era o que ela queria, mas o coração dela estava confuso e ele estava querendo ajudar, mas acabou atrapalhando.

Ela clamou pelo seu nome. Gritou. Queria ele de volta como ele sempre foi, não o queria daquele jeito. Ele, frio, não fez nada além de continuar olhando pra ela com olhos de esperança. Ela, então, disse:

- Parece que eu não tenho mais aquilo que, um dia, foi minha força maior.

Com lágrimas nos olhos, ela parou de falar e ele olhou para ela e disse:

- Eu te prometi que estaria contigo para sempre, nada mudou.

Sua expressão facial mudou completamente. Ele tinha um sorriso em sua face novamente, uma verdade de uma felicidade incrível. Ela o abraçou, pediu desculpas. Ele a abraçou de volta, pediu desculpas.

Saíram dali juntos, como sempre faziam quando queriam se divertir um pouco. Remetendo a tempos passados. É, essa era a vida que ele, novamente, tinha e queria.

Ele olhou para ela e disse:

- Não faz mais isso comigo. Não aguentaria te perder duas vezes.

Ela olhou para ele e disse:

- Não farei mais isso contigo. Não aguentarei te perder duas vezes.

Ambos choraram enquanto sorriam. Felizes por estarem juntos, tristes por terem se perdido. Eles estavam felizes, voltaram novamente a si e vivem juntos até hoje.
Uma amizade que durou além dos tempos, um amor que permaneceu quente mesmo quando o frio queria apagar esse calor...

Por: Ademilton Santos Júnior


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ave Fênix




Este é um conto que conta a história de um jovem garoto. Um garoto normal, de altura mediana, nem muito bonito nem muito feio.


Tudo se inicia com o nascimento. O garoto nasce, recebe seu nome e começa seu ciclo vital, padrão para todos seres humanos. Mal sabia ele que ele seria diferente, que um algo em especial o diferenciaria dos outros seres humanos comuns.


Como de prache a todos humanos, o garoto cresce. Atinge sua adolescência de modo triunfal, era um garoto exemplar. Mas, algo o diferenciava dos outros, algo imperceptível: a capacidade dele de se recuperar. Não em relação a doenças, mas em relação a dores piores. O jovem era inabalável, de tal forma que não poderia ser compreendido por outras pessoas. Mas, isso não era bom. Os outros começavam a se afastar dele, tratá-lo como um ser sobrenatural, um alguém de outro mundo.


Isso não era verdade. Por mais que esse jovem fosse especial, ele não passava de um mero ser humano com uma diferença de não ter um emocional tão facilmente abalável como outros tinham.

Por ser, aos poucos, excluído das outras pessoas, ele não podia compreender o que acontecia que o tornava tão diferente de todos os outros e, por isso, ele se tornou um rapaz confuso, com muitas dúvidas. Essas dúvidas começavam a penetrar seus sonhos, a torná-lo um rapaz de humor ruim por não conseguir dormir direito. Com isso, sua saúde se tornava afetada. Dores de cabeça, visão embaçada, músculos fracos...


Várias doenças faziam a festa em seu corpo sem que ele percebesse, estava ocupado demais pensando em por qual motivo teria sido excluído por todos. Suas doenças o venceram, ele estava entregue.

Hospital. Um ambiente que ele nunca tinha visitado, um jovem saudável como ele nunca teve essa necessidade. E, agora, alugava um quarto para sua recuperação. Dias passaram, meses passaram...Dois anos se passaram. Médicos não conseguiam ajudá-lo, não sabiam o que fazer porque a doença deste jovem não era algo que a medicina pudesse ajudar.


Ainda deitado, o jovem olhava para o teto do quarto onde habitava. Um olhar vago, sem rumo, um garoto que tinha, aparentemente, desistido de viver, mas ainda havia algo que o fazia estar vivo. Além de seu organismo estar em pleno funcionamento, a força de vontade deste garoto de descobrir o que o fizera estar naquela situação era de tamanha força que faria com que ele não desistisse.


E ele descobre. Percebe que sua frieza perante os sentimentos alheios o tornara diferente de outras pessoas, o fazia estar ignorando sentimentos alheios, o fazia ser alguém rude. Mas, era tarde. Essa descoberta veio um ano após o atrofiamento dos músculos de suas pernas por estar por mais de três anos deitado, sem movimentar-se.


E não era apenas isso. Alguns de teus órgãos já haviam parado e seu corpo já não mais o respondia. Tirando sua mente, ele estava em estado vegetativo. Por mais que ele batalhasse, não teria como vencer a desistência que seu corpo proporcionara. E, algum mês depois, o jovem falece.


O fim de um ciclo vital: a morte. Alguém que batalhara tanto para ter uma vida digna e um modo legal de se viver teria encontrado o fim, um fim triste e solitário.


Veio o dia de seu velório. Incrivelmente, não havia apenas familiares. Seus amigos que haviam o abandonado compareceram ao seu velório, para dar o seu último adeus. Mal sabem eles que foram os culpados pela morte do jovem garoto.


Lágrimas escorrem do rosto de uma bela menina: "Eu estava apaixonada por ele", disse. Logo após isso, a garota não conteve seu choro e desabou em lágrimas.


O amigo que mais era presente na vida do jovem garoto também compareceu ao seu velório: "Ele sempre fazia as pessoas rirem com suas brincadeiras e sempre estava disposto a ajudar por ter um amplo conhecimento em seus estudos", dizia, sem conseguir conter as lágrimas.


Aos poucos, era perceptível a tristeza que tomava conta de todas as pessoas que ali estavam presentes. E, como uma Fênix, o jovem garoto renascia. Não no campo físico, mas no campo espiritual. Sua alma, suas lembranças, seus sorrisos, suas brincadeiras... Tudo que tornara o jovem uma pessoa especial renascia no coração das pessoas que com ele andavam. Sua alma descansava em paz, pois sabia que fez o que achava correto e, hoje, jaz no coração das pessoas, que não conseguem esquecê-lo.


Atualmente, a foto desse garoto é parte de toda uma sociedade, seu velório comoveu muitas pessoas, mesmo as que não o conheciam. E era isso que o tornava especial. Sua capacidade de comover sem ser comovido. Mas, era tarde, ninguém mais poderia ser comovido por alguém especial como ele.


Dentro do coração de cada um, havia a lembrança maravilhosa de um alguém que jamais fizera mal a alguém, mas que foi perturbado e machucado por todos. E que, após sua morte, entendeu-se o que o fazia ser diferente dos outros seres humanos: ele era uma Fênix.



Por: Ademilton Santos Júnior


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pó de Diamante



Este é um conto sobre uma história de um rapaz minerador. Um rapaz jovem, de estatura mediana, cabelos comuns, um cara como qualquer rapaz de cidade grande...

Certo dia, espalha-se, pela cidade, a notícia de que uma grande mina foi descoberta, tal mina que não fora dante explorada. O jovem decide, então, organizar-se e preparar-se para uma aventura diferente de sua rotina. Ele compra objetos para mineração, pesquisa sobre técnicas de mineração, cursa um leve treinamento que a própria cidade organiza. E, então, em menos de 3 meses, o jovem garoto é o primeiro a estar pronto para a tal mina e a tarefa de minerar.

Ele, então, parte. Uma longa caminhada, com um caminho, até então, desconhecido dele e de qualquer outra pessoa, por enquanto. Está próximo da desistência, mas quer ir até o fim, ter a honra do pioneirismo da descoberta, um algo que alimenta a tua alma e o faz seguir em frente. E todo seu esforço vale a pena: dias após sua saída, ele encontra a entrada da mina, ainda sem nenhuma sinalização ou qualquer outra coisa que venha a demonstrar o que é.

Ansioso para explorá-la, o jovem retira, de sua mochila, os materiais necessários para começar a exploração. Pá, picareta, lanterna...Nada foi esquecido. Entra, sozinho, num mundo desconhecido, o qual ele, agora, sente seu coração pulsar, suas pernas tremerem e tua alma chacoalhar de tanta ansiedade.

1 mês. O jovem desaponta a mina, por conta de uma falsa força de vontade que ele nutriu. Na verdade, seu cansaço de dias de caminhada fizera com que ele descansasse por um longo tempo. Ainda assim, a mina estava só para ele (aparentemente, ele foi o único interessado). Passa-se esse mês. A força de vontade e a garra voltam ao jovem, que renasce das cinzas com força total. Dedica-se a minerar. 2 meses, 3 meses...5 meses, 6 meses...9 meses. Perto da desistência, o jovem encontra aquilo que será a sua maior e mais preciosa descoberta: um diamante. Pedra preciosa de enorme valor, com um tamanho jamais visto, de um brilho tão intenso que recompensa todo o trabalho duro e suor que o jovem garoto gastara nestes longos meses de trabalho.

O jovem pega este diamante, o guarda em seu bolso do peito. "Está próximo do que me importa, meu coração. Daqui, não mais sairá, minha pedra mais preciosa" - diz o jovem garoto, entusiasmando-se cada vez mais.


10 meses. 11meses. Na metade do 11º mês, tudo começa a dar certo. Rubis, esmeraldas, safiras, ametistas, topázios...Milhares de pedras preciosas começam a ser encontradas pelo jovem garoto, que sobrecarrega sua mochila e seus bolsos. Com todos lotados, o jovem continua a minerar e encontra mais pedras. Sem bolsos, o jovem pensa e sente uma leve dor no peito, uma consequência do cansaço. Ao sentar para descansar, ele põe a mão em teu peito e sente algo estranho em suas mãos. Ele lembra de teu bolso, coloca a mão dentro do mesmo e...o diamante.

Estava lá, no seu peito, desde aquele dia em que ele havia conseguido sua maior preciosidade. Mas, haviam, ainda, muitas pedras que encheriam este mesmo bolso, que era preenchido com um único diamante. Ele titubeia, mas joga o teu diamante precioso ao chão e se sobrecarrega com as várias pedras que ele tinha encontrado pelo caminho...O jovem prova o quão idiota poderia ser: todas as pedras, reunidas, não valeriam 1% da importância real que aquele diamante teria.


Mas, para ele, a quantidade era mais importante que a qualidade. Ele queria provar o prazer da liberdade, de poder se divertir com muitas pedras preciosas e sacrificou seu diamante, prometendo a si mesmo que voltaria para buscar o mesmo diamante, um dia. E, desta vez, apenas o diamante voltaria com ele pois, a esta altura, não havia mais pedra alguma em tal mina, por conta de sua ambição.


Infelizmente, para o garoto, o diamante estava sumindo aos poucos. Por um fenômeno que ninguém saberia explicar, o diamante vinha diminuindo cada vez mais, fazendo com que o minerador se sentisse confuso em levar várias pedras ou o diamante. Enquanto isso, o diamante vai sumindo, sumindo, sumindo...E o jovem continua confuso, sem saber o que fazer...


Um dia, este diamante irá sumir...Será que, aí, o jovem perceberá a importância que aquela que foi sua MAIS IMPORTANTE preciosidade, hoje, já não existe mais? Ou será que as outras pedras sem brilho e sem o mesmo valor serão suficientes para confortar o coração deste jovem garoto?

Enquanto isso, o diamante vai sumindo, sumindo, sumindo...Um diamante único, raro, encontrado em uma mina nunca dante explorada. Este mesmo diamante, hoje, está desaparecendo e ressurgindo em uma nova mina, para que, um dia, um novo minerador a encontre e, quem sabe, esse novo minerador dê a esta pedra raríssima, preciosíssima, com brilho inigualável e intensamente bela, o devido valor que, uma vez, um jovem garoto não deu.


Enquanto isso, o diamante vai sumindo, sumindo, sumindo...

Por: Ademilton Santos Júnior